Coface melhora Risco Político de Luanda

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A consultora de risco Coface melhorou a classificação de Angola devido ao provável aumento da produção petrolífera, abrandamento da depreciação do kwanza e aceleração das reformas que vão melhorar o ambiente de negócios no país.

“A produção de petróleo deve crescer ano, sustentando o regresso ao crescimento económico, a depreciação da taxa de câmbio oficial deve abrandar e as reformas das médias e pequenas empresas para melhorar o clima de negócios aceleraram”, lê-se na última análise da consultora francesa Coface, uma das mais importantes a nível mundial, a que a Lusa teve acesso.

Angola, já este ano, viu a sua classificação sobre o Risco do País melhorar para C, o penúltimo de uma lista que analista o risco de investimentos no país.

Um nível C, de acordo com a classificação da consultora francesa, serve para identificar um país com “uma perspectiva de evolução económica e financeira muito incerta, com um contexto político que pode ser instável”, e no qual “o clima empresarial tem deficiências substanciais e a probabilidade média de uma companhia entrar em ‘default’ é elevada”.

No que diz respeito ao indicador que mede o Clima Empresarial, Angola está no pior indicador (D), que implica um país em que “os relatórios das empresas estão frequente indisponíveis e não são confiáveis” e em que “a cobrança de dívidas é aleatória, as instituições mostram fraquezas significativas, e o acesso ao mercado interno é difícil”.

No relatório sobre Angola, os analistas antecipam uma recessão de 1,1% em 2018 e uma recuperação do crescimento económico para 2,2% este ano.

A dívida pública deverá descer de 73,5% do PIB em 2018 para 69,9% este ano, com a inflação a abrandar, de quase 20% no ano passado, para menos de 16% este ano.

“Depois de três anos de contracção do PIB, motivada pela queda dos preços do petróleo e prolongada pelo declínio da produção dos campos petrolíferos já maduros, o país deve regressar a um crescimento moderado este ano”, lê-se na parte do relatório referente a Angola.

Sobre a Presidência de João Lourenço, os analistas da consultora de risco francesa dizem que “começou numerosas reformas com o objectivo de reduzir a influência da família de dos Santos na economia, melhorando a percepção do clima empresarial e tirando o país da crise”.

No entanto, acrescentam, “apesar de as investigações judiciais contra os filhos do antigo Presidente, Isabel e José Filomeno dos Santos, terem enviado um forte sinal na luta contra a corrupção, o país ainda está a tentar afastar a sua reputação de corrupção”.

Os grandes desafios socioeconómicos, afirmam, “mantêm-se”, sendo que “a inflação elevada, o esperado aumento do IVA e a prolongada crise económica vão continuar a ser fontes de agitação social numa população que sofre de pobreza, persistentes desigualdades e parco acesso a serviços de saúde, educação e habitação”.

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