Curoca é o município com mais Pobreza Multidimensional

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Com um Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) de 0,753, o município do Curoca, província do Cunene, é o mais pobre entre os 164 municípios de Angola, o que significa mais de 90 por cento das pessoas desta região são multidimensionalmente pobres (sem acesso à educação, saúde, emprego e habitação).

Esses dados constam do primeiro Relatório sobre a Pobreza Multidimensional, apresentado ao público esta quinta-feira, em Luanda, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que aponta, igualmente, 97,5 por cento de incidência e 77,2 de intensidade dessa pobreza nesse município, que conta com quase 56 mil habitantes.

Ao apresentar esse relatório, a técnica sénior do INE, Eliana Quintas, afirmou que o estudo do Índice de Pobreza Multidimensional/Município (IPM-M) centrou-se, essencialmente, em quatro dimensões, designadamente, a falta dos serviços de saúde, acesso à educação, emprego e qualidade de habitação em todos os municípios do país.

Ainda na província do Cunene, o relatório, que tem como base os dados do censo populacional realizado em 2014, mostra que os municípios do Cuvelai e Ombanja apresentam uma incidência de 94 por cento ou mais, significando que quase a totalidade das pessoas desses municípios são multidimensionalmente pobres.

Entre os seis municípios da província do Cunene, Cuanhama apresenta uma incidência de 78 por cento do IPM, mostrando que oito em cada 10 pessoas deste município têm dificuldades de aceder os serviços de saúde e educação, bem como ter acesso a água potável, electricidade, emprego e qualidade de habitação.

Dos onze indicadores que influenciam o IPM-M, o estudo aponta ainda a falta de água potável, saneamento básico e electricidade da rede pública como factores negativos que contribuem com mais de 40 por cento da pobreza destes municípios.

Além desses indicadores, a falta de registo civil, combustível para cozinhar e a dependência das pessoas também influenciaram o IPM-M.

Município de Luanda com menos IPM-M

Contrariamente ao Curoca (Cunene), Luanda, província com o mesmo nome, é o município que apresenta um Índice de Pobreza Multidimensional/Município (IPM-M) mais baixo (0,029) do país, com uma incidência de apenas 6,6 e 43,5 de intensidade.

Apesar deste facto, os municípios de Luanda e Cazenga, em conjunto, apresentam uma intensidade de 44 por cento, mostrando que os pobres sofrem em média 44% de privações dos 11 indicadores seleccionados, o que quer dizer que os pobres nesses municípios apresentam uma intensidade elevada de pobreza.

A par disso, os municípios de Quiçama e Icolo e Bengo (Luanda) apresentam uma incidência de 70 e 75 por cento, respectivamente, significando que pelo menos sete em cada dez pessoas desses municípios são multidimensionalmente pobres.

Entretanto, Quiçama é o município com um IPM-M mais elevado desta província, no qual os indicadores sobre o acesso à água potável, saneamento e electricidade da rede pública contribuem com 48% para a pobreza deste município, enquanto Luanda tem como indicadores a água, dependência e registo civil.

O município de Viana, considerado como o mais populoso da província de Luanda, apresenta uma incidência de 6,9 e 43,6 por cento de intensidade do IPM-M.

Questionada sobre os dados utilizados para realização desse relatório, tendo em conta que o censo foi feito em 2014, a técnica do INE afirmou que esse factor não influencia muito na mudança desta estatística nem desajusta os respectivos dados.

Clarificou que o IPM-M depende exclusivamente dos indicadores do censo populacional e habitação.

Na ocasião, Eliana Quintas avançou, igualmente, o lançamento do primeiro Relatório do Índice de Pobreza Multidimensional/Província, a ser publicado no primeiro trimestre de 2020, tendo como base os dados do Inquérito de Indicadores Múltiplos de Saúde (IIMS), que é realizado de cinco em cinco anos.

Segundo Eliana Quintas, os dados contidos no primeiro Relatório sobre a Pobreza Multidimensional poderão ser úteis para classificar os municípios de acordo com o seu grau de pobreza, assim como será possível elaborar muitos estudos mais profundos.

O estudo desse relatório teve início a 19 de Março de 2019, numa parceria entre o PNUD e a Oxford Poverty and Human Development Initiative (OPHI) da Universidade de Oxford.

O objectivo é identificar o nível de pobreza por cada município e agrupa-los dentro de classificações tecnicamente robustas e úteis para facilitar o Executivo na distribuição do Orçamento Geral do Estado (OGE), para a promoção do desenvolvimento do país.

 

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