Ex-director da secreta moçambicana confessa ter recebido suborno no caso ‘dívidas ocultas’

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Grupo de juízes moçambicanos conseguiram confissão do ex-patrão da secreta moçambicana envolvido nas ‘dívidas ocultas’, que diz que desconhecia origem e ilegalidade dos fundos que lhe chegaram.

A magistratura moçambicana soma e segue com o julgamento de 19 arguidos envolvidos no polémico caso ‘dívidas ocultas’, um dos quais é o antigo director de Estudos e Projetos do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE) do país, Cipriano Mutota, que confessou esta semana ter recebido, para benefício pessoal, um total de 980 mil dólares.

Ao falar diante de um colégio de Juízes e da ala acusadora do Ministério Público daquele país do índico, o ex-patrão da secreta moçambicana garantiu que desconhecia a ilegalidade dos fundos que lhe chegaram ao bolso, tendo considerado como um agrado pela realização de um estudo sobre sistema de protecção marítima de Moçambique.

“Sim, confirmo, sim, que recebi 980 mil dólares, em várias parcelas”, declarou Mutota, confirmando as várias acusações do Ministério Público, na sequência das perguntas do juíz da causa.

O caso ‘dívidas oculta’ de Moçambique remonta entre 2013 e 2014, em que são acusados 19 ex-responsáveis do governo moçambicano, envolvidos num esquema para saquear o Estado em 2,7 mil milhões de dólares. Segundo a acusação, um dos suspeitos é Ndambi Guebuza, filho do ex-Presidente da República, Armando Guebuza.

De acordo com a cronologia dos factos daquele que é considerado o maior escândalo de corrupção de Moçambique, Cipriano Mutota teve papel activo na elaboração da referida avaliação/estudos, entre 2007 e 2008, que serviu de base para a mobilização de mais de dois mil milhões de dólares para o financiamento de empresas de protecção marítima, com garantias do Estado consideradas ilegais pelo Ministério Público.

Noutra bateria de perguntas e após várias insistências da acusação, o então líder da secreta moçambicana, sem pestanejar, voltou a confirmar o que até ontem não passava de suspeitas. “Pensei que o dinheiro fosse pela minha contribuição no projecto. Recebi esse dinheiro depois de ter cessado funções e ter sido colocado a estagiar no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação”, afirmou o réu, ao tentar minimizar o acto criminoso diante dos magistrados judiciais e do ministério público.

Mutota confirmou ainda que os 980 mil dólares chegaram ao controlo pelas ‘mãos’ do negociador da empresa de estaleiros navais Privinvest, Jean Boustani, que leva nos ‘ombros’ a acusação de ser a pessoa que pagou os subornos alimentados pelo dinheiro das “dívidas ocultas”.

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