Lunda Sul: Polícia mata cidadão por uso incorreto de máscara

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Agentes da Polícia Nacional, no município de Cacolo, Lunda-Sul, estão a ser acusados de terem espancado até à morte o cidadão Txijica Benjamim, de 42 anos. Segundo familiares da vítima, o uso incorrecto da máscara facial está na base da agressão policial contra o homem, que saía de uma loja acompanhado pela esposa.

Segundo a esposa, o crime ocorreu no passado dia 8 de Setembro, depois de o casal ter ido comprar alguns produtos na loja de um cidadão senegalês. Os agentes destacados no município de Cacolo interpelaram nessa altura o casal, questionando o motivo por que o marido não usava a máscara de forma correcta. “Benjamim respondeu que, como eles podiam ver, estava com algumas coisas nas mãos e que também estava a comer”, explicou.

Em seguida, a esposa foi a casa buscar 5000 kwanzas para pagar a multa exigida pelos agentes da polícia em serviço, mas quando regressou já não os encontrou no local onde tinham sido interpelados.

“Quando fui à esquadra, disseram-me que Benjamim já tinha sido posto em liberdade. Como assim, o meu marido já foi posto em liberdade, se vocês me disseram para ir a casa buscar o dinheiro da multa?”, perguntou a viúva aos agentes da polícia, acrescentando que ele não tinha retornada à sua residência.

Segundo o relato da família, Txijica Benjamim foi encontrado morto numa zona rural, a sete quilómetros da vila de Cacolo, no dia 10 de Setembro, dois dias depois da detenção.

Os familiares souberam sobre a sua morte através de terceiros, horas depois de o Serviço de Investigação Criminal (SIC) ter removido o cadáver e o ter deixado na morgue do hospital de Cacolo: “A morte de Benjamim é um mistério para nós. Soubemos da morte dele por intermédio de terceiros. O corpo tinha sido depositado na morgue do hospital de Cacolo pelos agentes do SIC. Foi depois da informação que nos apercebemos de que Benjamim já estava morto por espancamento.” As imagens do cadáver espancado estão em posse do Maka Angola, comprovando os relatos da família da vítima.

Depois de encontrarem o corpo de Benjamim, os familiares recusaram-se a levar o cadáver, pelo facto de a polícia se ter recusado a dar explicações plausíveis sobre a morte. “A Polícia Nacional autorizou a realização da autopsia na ausência de nós, os familiares. E informara-nos de que ele morreu de angina”, acusam os familiares.

Com o “puxa-puxa” entre familiares e agentes da Polícia Nacional, Txijica Benjamim só foi a enterrar no passado dia 15, depois de o corpo já ter entrado em estado de decomposição. Além do sofrimento indescritível pela perda de Benjamim, a família diz sentir-se ainda mais injustiçada pelo facto de até ao momento a polícia não dizer as causas reais da sua morte.

O assassínio de Benjamim volta a pôr em evidência o problema gravíssimo que afecta as forças policiais: em vez de serem forças sempre ao serviço dos cidadãos e do cumprimento da lei, têm entre os seus agentes pessoal com fraquíssima formação e, tragicamente, alguns verdadeiros criminosos.

Neste contexto da pandemia da Covid-19, é provável que haja mais vítimas da violência policial – desde detenções, multas injustificadas e ameaças, até ao assassínio puro e simples de cidadãos sem máscara, como aconteceu ainda no presente mês de Setembro com o infeliz Dr. Sílvio Dala, cuja morte o País ainda chora.

Para a família de Benjamim – tal como para os cidadãos angolanos em geral – exige-se, portanto, a tomada de acções muito urgentes e decisivas por parte do poder político na província da Lunda-Sul, responsável último pela actuação das forças policiais.

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