Norberto Garcia, José Tavares e Joanes André entre os eleitos de Bento Bento para governar Luanda

0
346
Bento Bento, antigo Governador e secretário provincial do MPLA de Luanda

Já é mais ou menos público que o regresso de Bento Bento ao cadeirão de primeiro secretário do MPLA na capital do país irá produzir um facto político invulgar, contrário ao que até então fazia parte da agenda e da estratégica política do partido no poder: conciliar o cargo de governador da província com a de primeiro secretário provincial, como, aliás, é ainda ‘prática doutrinária’ em quase toda a extensão do território nacional.  

Ressuscitado das cinzas — quando mais ninguém dava por ele, e regenerado para o próximo grande desafio eleitoral na principal praça política do país, após a defenestração a que foi alvo —, Bento Bento regressou pela ‘porta grande’, mas deverá deixar que um outro ‘camarada’ assuma a missão de conduzir os destinos de Luanda, que, ao que tudo indica, se apressa para mais uma vez colocar uma lápide sobre um dos nomes do partido que deverá  sucumbir na capital do país.

A fazer fé num ofício expedido pelo gabinete do primeiro secretário do MPLA em Luanda, que teve como destino a mesa de trabalho do Presidente João Lourenço, a chave da capital deverá parar às mãos de três candidatos: do ex-presidente da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda (CACL) José Tavares; do actual director do Gabinete da Acção Psicológica, Informação, Educação Cívica, Moral e Patriótica — órgão afecto à Casa de Segurança do Presidente da República Norberto Garcia; ou às mãos do ex-governador da província do Zaire Joanes André.

O expediente, de acordo com informações obtidas pelo jornal !STO É NOTÍCIA, seguiu ‘viagem’ em Maio, deixando, entretanto, de parte uma outra figura cujo nome já se ventilava nos corredores do poder como um forte candidato a ocupar o cadeirão do ‘palácio da Mutamba’. Trata-se do ex-administrador do município do Talatona e antigo vice-presidente da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda Ermelindo Pereira.

Associado a um grupo de quadros do MPLA com ligações ao actual ministro de Estado e Chefe da Casa Civil, Adão de Almeida, Ermelindo Pereira não estará de todo afastado da corrida, de acordo com a mesma fonte. O seu nome pode vir a revelar-se como “alternativa de uma última hora, se se partir do princípio que outras propostas, vindas de outras esferas do poder, podem sobrepor-se à de Bento Bento e porque também a última palavra será sempre a de João Lourenço”.

Sem grandes surpresas, à quase certa possibilidade de Bento Bento não vir a tomar as rédeas da maior praça política nacional na qualidade de governador — cinco anos depois de ter sido de lá apeado em circunstâncias algo inusitadas — junta-se um outro velho facto político que há pelo menos uma década e meia vem fazendo de modo sistemático vítimas: o facto de Luanda se ter transformado no que se convencionou chamar de ‘cemitério dos políticos’.

Para se ter uma ideia da ‘dimensão estatutária’ do aludido facto, basta uma visita à galeria dos ex-governadores de Luanda: Bento Bento, Graciano Domingos, Higino Carneiro, Adriano Mendes de Carvalho, Sérgio Luther Rescova Joaquim. Destes cinco nomes, só Higino Carneiro — por força da realização das eleições de 23 de Agosto de 2017 e da indicação do novo executivo — não experimentou uma saída que tivesse provocado o habitual ‘burburinho indagador’. Afinal, trata-se do espaço administrativo onde os problemas estruturais da cidade acabam por ter uma espécie de ‘força de lei’.

Porém, o contrário também poderá ser aqui aludido: se, por um lado, se conhece a ovação pública generalizada, quando é divulgada a notícia da exoneração de um governador da capital; por outro, é também conhecida a manifestação pública de um sentimento de indagação, como de resto aconteceu aquando da exoneração, mais recentemente, de Sérgio Luther Rescova Joaquim, e do caso mais badalado dos ex-governadores de Luanda em que esteve envolvido Aníbal Rocha.

A exoneração de Bento Bento, por exemplo, do cargo de governador provincial, por exemplo, terá sido a mais emblemática dos últimos tempos e provavelmente aquela que ficou marcada, mais pela força do seu recurso linguístico metafórico na hora de partida do que propriamente pelo seu conteúdo político.

Na hora em que se despedia do secretariado do MPLA em Luanda, após ter sido já exonerado do cargo de governador provincial, Bento Bento fez questão de ‘ajudar’ os seus correligionários a compreenderem as razões que teriam estado na base da sua exoneração.

“O camarada Presidente é o superior gestor de quadros do MPLA, sabe o que está a fazer, ele vê a floresta e nós vemos as árvores”, disse Bento Bento, em Fevereiro de 2016, num discurso efusivo, durante o qual aproveitou para lançar o alerta a quem estava a substitui-lo (o general Higino Carneiro). “[Esta Luanda] tem muitos chefes, toda a gente manda (…) tem que disciplinar essa gente”, sentenciou.

Se a decisão de colocar uma lápide sobre a actual governadora, Joana Lina, deverá acontecer já, esta é uma informação que a fonte deste jornal não revela com precisão, “até porque esta é uma decisão que caberá agora somente ao Presidente João Lourenço tomar”.

Seja qual for a decisão, um novo recorde será alcançado: em pouco menos de sete anos, Luanda irá experimentar pouco mais de cinco governadores. João Lina poderá, ainda assim, dar-se ao luxo de ter igualado um feito logrado até então apenas por Francisca do Espírito Santo.

Na já longa lista de governadores da cidade capital, ocupada na esmagadora maioria por homens, a actual governadora conseguiu ainda assim inscrever o seu nome. Se Joana Lina tem já a porta de saída escancarada, só os próximos dias ou meses vão dizer.

Seja o primeiro a comentar

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, escreva o seu comentário
Por favor, escreva o seu nome aqui