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PLUS quer estar entre os grandes da cena política em Angola

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Albino Wakussuca, coordenador da Comissão Instaladora do Partido de Libertação e Unidade Social de Angola

Alexandre Mahula

O coordenador da Comissão Instaladora do PLUS, Partido de Libertação e Unidade Social de Angola, apresentou, através de uma entrevista ao Apública, as suas linhas de acção, caso receba respaldo legal do Tribunal Constitucional.

Albino Wassuka falou do futuro do seu partido, o programa de combate à corrupção, assim como atribuiu nota cinco à governação do Presidente João Lourenço que, a seu ver, deixou em último plano o grito de socorro do povo angolano em detrimento do combate à corrupção.

ApúblicaCoordenador, quantas assinaturas foram recolhidas e a serem entregue ao TC?

Albino Wassuka – Só em Luanda recolhemos acima de 4.000 (quatro mil) assinaturas, porém as que recebemos das administrações com os atestados de residência são 2.241 (duas mil duzentas e quarenta e uma) assinaturas.

Ap –Que garantia tendes na legalização do partido, tendo em conta as exigências impostas, de acordo com a lei 22/10 de Dezembro – Lei dos partidos políticos?

AW – A garantia que temos é o cumprimento escrupuloso da Lei do Tribunal Constitucional e do PLUS, considerando que o Estado é uma pessoa de bem.

Ap – Como está a instalação do PLUS a nível do país?

AW – O P.L.U.S Tem representações em 15 província do país, dos quais 12 já deram entrada das assinaturas nas administrações, para aquisição dos atestados de residência e três estão recolhendo as assinaturas.

Ap – Qual é a massa associativa do PLUS em números?

AW – Considerando que somos Comissão Instaladora, o PLUS não tem militantes, mas sim, subscritores, que visam dar a legitimidade para a sua existência. Pois muitos angolanos auguram a legalização do PLUS para se tornarem militantes. Temos muita aderência ao nível do país.

Ap – Em que ideologia se cingirá o PLUS?

AW – Centro-esquerda

Ap – A política angolana está a receber novos partidos, candidatos às próximas eleições. Que instrumentos tem o PLUS, para, diante dos novos e dos grandes conseguir o espaço pretendido?

AW – As estratégias não se revelam, executam-se (salvaguarda).

Ap – Que desafios se impõe ao PLUS, num contexto dominado pela crise financeira e económica, e com o surgimento da covid-19.

AW – Considerando que a Covid-9 trouxe a desaceleração económica, afectando a todos nós, neste contexto temos muitos desafios. (1) Completar as assinaturas em falta (2) visitar todas as províncias do país, onde temos representações por formas a encorajar os nosso companheiros. (3) Aquisição de imóveis próprios; e (4) Financiamento.

Ap – Quais têm sido as fontes de receita (financeira) do PLUS, para todo o processo que envolve a existência e corrida aos novos desafios?

AW – O PLUS não tem patrocinador. Conta apenas com o apoio financeiro dos membros da Comissão Instaladora. Apelamos a todos os angolanos em especial aos Empresários para ajudarem-nos financeiramente.

Ap – O desemprego, formação, habitação e saúde são as aflições vividas pelos angolanos. O que pode mudar com o PLUS?

AW – Com o PLUS, o Melhor Está Por Vir.

(1) Em relação ao desemprego o PLUS irá promover um Plano Nacional de Geração de Empregos, capaz de criar efectivamente através do planeamento e desenvolvimento económico, as novas oportunidades de trabalho que a Nação reclama; (2) Assegurar aos aposentados e pensionistas, o direito ao respeito e à justiça, garantindo-se a dignidade dos proventos e a sua correcta actualização;

Consta das linhas de acção do PLUS a educação não só gratuita, mas obrigatória a todo o cidadão angolano na idade escolar.

AW – (3) O PLUS irá promover a educação como bem individual, social e prioridade nacional. Todos os angolanos têm o direito a uma educação competente e abrangente, que assista o desenvolvimento pleno da personalidade, da integração social e da potenciação das capacidades e talentos de cada um.

A educação tem de servir igualmente as necessidades dos homens e das mulheres como seres de cultura que são. Para isso, é necessário reafirmar os valores da escola, como comunidade autónoma de transmissão de conhecimentos, de saberes e de referências sociais, que deve ser norteado por uma cultura de exigência, de responsabilidade e dedicação de todos os agentes nela envolvidos. Sendo a educação Direito de todos, como assegura a Constituição, o PLUS proporcionará o ensino em todos os níveis, na escola pública, de qualidade, laica e gratuita. São objectivos a serem alcançados na área da educação: a) Tornar efectiva a obrigatoriedade do ensino primário, I ciclo e II ciclo a todos os angolanos; b) Erradicação do analfabetismo; c) Incremento do ensino técnico, fundamental para o desenvolvimento nacional; d) Melhoria das condições de vida e trabalho dos professores; e) Elevar a qualidade da educação a fim de capacitar a força de trabalho para as tecnologias modernas. (4) Em relação a habitação o PLUS pretende garantir a cada família o direito a uma moradia digna. Um lugar que seja só seu, onde ninguém entre sem pedir licença, um lugar para viver, envelhecer e ser feliz.

Ap – A onda de manifestações tomou rumos diferentes. Que analise faz, enquanto político e jovem angolano que vive a realidade?

AW – Um dos motivos que fez muitos países desenvolver é terem cidadãos exigentes e com coragem. Segundo o Art. 47.º da CRA, a manifestação é um direito e deve ser exercido sempre que se verificar um direito a ser quartado. Apoio o exercício deste direito de forma organizada e ordeira, sem vandalismo e sem aproveitamento político.

Ap – Liberdade, igualdade e solidariedade foram palavras expressas pelo senhor, a quando da apresentação do PLUS. Como fará para efetivar a liberdade que promete aos Angolanos?

AW – O PLUS parte da dignidade da pessoa como fim último da política, bem como fonte e justificação do exercício do poder e das suas instituições. Assim, para se efectivar a liberdade, precisamos defender as instituições políticas, por formas que sejam livres e democráticas, bem como defender as liberdades individuais e assegurar a todos, a igualdade de oportunidade perante a vida, independente das condições sociais e económicas de suas origens.

Ap – Até ao momento, as autarquias continuam sendo uma incerteza. Qual é a sua apreciação? Concorda que o PR e o MPLA estejam a atrasar a realização das mesmas?

AW – Quando se tem vontade política, as coisas acontecem.

Wassuka dá nota cinco (5) à governação de João Lourenço.

“porém, a minha avaliação numa escala de 0 a 10 valores, é 5”.

Justifica, que a bandeira do PR, João Lourenço, no caso, “o combate à corrupção deixou para o último plano os principais problemas dos angolanos”.

Ap – Como avalia o programa de governação de João Lourenço?

AW – Se a política implementada não se repercuti directamente na vida dos cidadãos, deve ser repensada. De certeza que tem vindo acontecer muitas mudanças no país, principalmente no aspecto do combate a corrupção que neste momento é a sua bandeira, porém os assuntos mais essenciais estão a ser colocados no segundo plano. Por exemplo: Há muita fome, aumentou o custo de vida, a extrema pobreza, a perda do poder de compra por conta da desvalorização do Kwanza. O país continua a registar muita morte por conta da malária e outras doenças. Porém a minha avaliação numa escala de 0 a 10 valores, é 5.

Ap – Como é que o PLUS encara o combate à corrupção?

AW – Precisamos entender que Administração Pública deve ser protegida dos grupos e poderes que pretendem colonizá-la e fazer dela um lugar de reprodução e clientelas, assim como deve ser exposta a uma gestão rigorosa, eficiente e inovadora, com atenção às melhores práticas nacionais e internacionais. Considerando que a corrupção teve origem no centro do MPLA, praticados por muitos militantes e por conta disto, sua imagem ficou manchada em Angola e no exterior, assim o combate à corrupção serve para limpar a imagem do MPLA. Pois, se não houve tal iniciativa o Partido teria graves problemas no futuro ou mesmo nas próximas eleições.

Albino Wassuca

Ap – Na apresentação do PLUS falou de maior investimento no sector agrícola como base. Concorda com o cancelamento da importação e aposta no sector interno?

AW – Entendemos que todos os produtos que podem ser cultivados ou produzidos em Angola, não devem ser importados, somente aqueles que não temos capacidade para os produzir. De facto, falamos do apoio abrangente à actividade agropecuária com ênfase ao estímulo para o pequeno produtor bem como incentivo à produção de alimentos. Entendemos que a reforma agrária é um instrumento de modernização da economia, devendo a questão ser encaminhada dentro dos seguintes parâmetros: (a) Racionalização da produção rural; (b) Aumento da produtividade) ascensão económica e social do homem do campo; (c) Atenção às peculiaridades geoeconómico na implantação de políticas agrícolas; (d) Melhor distribuição das terras e combate à propriedade improdutiva. Na mesma senda entendemos que a agricultura é prioritária em um país como Angola com sua potencialidade e sua dimensão geográfica. A agricultura angolana deve ser estimulada a buscar a competitividade expressa em produtividade; deve prioritariamente destinar-se à produção de alimentos como forma de fazer frente à fome. Por outro lado, a moderna agricultura tem que ser assistida com recursos de tecnologia, pesquisa e transporte. Deve ser fomentada a associação com a agroindústria e sua viabilidade regional, como forma de valorizar as pequenas e médias cidades.

Ap – O orçamento geral do Estado baixou, alegadamente, pelo contexto macroeconómico do país e a queda do petróleo no mercado internacional. Que linhas devem ser seguidas para garantir a estabilidade social?

AW – Para garantir a estabilidade social é necessário promover o desenvolvimento económico do país segundo critérios que tornem possível a realização da justiça social e a equilibrada distribuição dos frutos do progresso, entre todos os angolanos. Assegurar o direito de prioridade e considerá-lo como instrumento do Bem Comum, condicionado a ser exercido com finalidade social. Apoio a Livre Iniciativa, fortalecendo a empresa privada, estimulando a empresa nacional e limitando a acção do Estado aos campos de sua natural actuação. Apoio efectivo às micro, pequenas e médias empresas, reconhecendo sua importância no processo do desenvolvimento económico e na geração de empregos. O PLUS defende incondicionalmente a existência de um salário mínimo digno, que atenda às necessidades básicas do trabalhador e de sua família e seja suficiente para fazer frente às despesas de alimentação, habitação, vestuário, transporte, cultura e lazer.

Ap – É de acordo que as FAA (Forças Armadas Angolanas) deviam ser aproveitadas para facilitar o escoamento de produtos do campo para os centros urbanos?

AW – Entendemos e reconhecer as Forças Armadas, como instituição permanente, destinada somente a garantir a soberania nacional, nos termos e limites constitucionais.

A Comissão Instaladora do PLUS remeteu, na sexta feira ultima, 11 de Dezembro, as assinaturas do processo de legalização do partido junto do Tribunal Constitucional, que aconteceu depois de uma assembleia de constituição directiva, em Luanda.

O Apública estará no encalço no desenrolar do processo da legalização do partido de Libertação e Unidade Social de Angola (PLUS).

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