Confrontos de Cafunfo fez mais de 50 mortos, denuncia padre católico

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Pelo menos 55 pessoas morreram nos confrontos de 30 de janeiro em  Cafunfo, município do Cuango, na província da Lunda Norte, denunciou o coordenador da Comissão de Justiça Paz e Migrações da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST). Padre Celestino Epalanga diz que ainda há corpos por localizar nas matas.

Ainda assim, a Comissão de Justiça Paz e Migrações da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) contou que há ainda “alguns desaparecidos e outros ainda estão nas matas”.

O sacerdote católica, que representou a Igreja Católica no encontro sobre “Cidadania e Segurança Pública”, promovido pelo Ufolo – Centro de Estudos para a Boa Governação, em parceria com o Comando Geral da Província Nacional, em Cafunfo, explicou à VOA que existem pessoas vivem numa miséria indescritível.

O Governo tinha anteriormente adiantado seis mortos durante o que disse ser uma tentativa de ataque a uma esquadra policial, quando outras fontes argumentavam terem-se registado mais de 20 mortos.

Celestino Epalanga afirmou que às manifestações da população da zona de Cafunfo não são movidos por sentimentos separatistas, mas o resultado da pobreza real que “campeia na região”, rica em diamantes.

“As pessoas vivem numa miséria indescritível”, disse o padre que, contudo, frisou que “encontramos uma comunidade dividida”

“Alguns apoiam e justificam este acontecimento e outros condenam”, afirmou, acrescentando que uma das conclusões do encontro em que muitos foram ouvidos “em forum privado” é que a região “tem um historial de violência motivada pela falta de condições económicas e sociais das comunidades locais”.

“A investigação deve continuar”, defendeu o padre jesuíta, quem considera que a indefinição política e administrativa da região e a presença ostensiva de militares fizeram de Cafunfo uma zona violenta e um espaço longe dos apoios do Governo provincial.

“É dificil encontrar um militar ou polícia sem uma arma na mão”, disse Epalanga que garantiu haver “muita violação de direitos humanos”.

“Mulheres que vão às lavras depois têm que partilhar os seus alimentos com os polícias sem razão nenhuma”, revelou o padre.

Os promotores do debate sugeriram que Cafunfo deve ser dotado de personalidade político-administrativa para que as forças policiais sejam equipadas de meios adequados à dimensão populacional e cumpram apenas as suas tarefas constitucionais.

Para já, segundo as conclusões, propõe-se o estabelecimento interino de um Grupo de Acção e Monitorização dos Direitos Humanos, “integrado também por representantes das comunidades locais, para o estabelecimento de um clima propício de liberdade e cidadania.”

Com/VOA

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